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Piscicultura em Rondônia: uma alternativa estratégica de investimento com foco em Tambaqui, Tilápia e Pirarucu

A piscicultura em Rondônia tem se consolidado como uma das cadeias produtivas mais promissoras da região Norte. Com clima equatorial úmido, abundância de recursos hídricos e tradição na criação de espécies nativas, o estado ocupa posição de destaque na produção nacional de peixes. Segundo a Peixe BR (2023), Rondônia figura entre os cinco maiores produtores de pescado de cultivo do Brasil, liderando na produção de Tambaqui.

Para investidores e produtores rurais, o setor apresenta oportunidades reais de rentabilidade, especialmente com espécies adaptadas ao bioma amazônico e com boa aceitação comercial. A seguir, veja uma análise técnica comparativa entre as principais espécies cultivadas na região e o seu custo-benefício.

Análise Comparativa das Principais Espécies Cultivadas em Rondônia

EspécieCiclo ProdutivoGanho de Peso MédioConversão Alimentar (CAA)Investimento InicialPreço Médio no Mercado (kg)Observações
Tambaqui12-18 meses1,5 – 2,5 kg1,8 – 2,0:1R$ 25 a 35 mil/hectareR$ 10,00 a R$ 14,00Nativo, resistente, aceitação nacional
Tilápia6-8 meses0,8 – 1,2 kg1,5 – 1,7:1R$ 40 mil/hectareR$ 12,00 a R$ 16,00Bom para cultivo intensivo, mas sensível ao calor e umidade
Pirarucu24-36 mesesaté 10 kg2,5 – 3,0:1R$ 60 mil/hectareR$ 30,00 a R$ 50,00Alto valor agregado, ideal para exportação

Fonte técnica: EMBRAPA Pesca e Aquicultura, SEAGRI/RO, IFRO, Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR)

Obs: A Conversão Alimentar (CAA) é a quantidade de ração consumida, para cada quilo ganho da espécie. Por exemplo, o Tambaqui necessita de 1,8kg a 2kg de ração para cada 1kg adicionado de ganho de peso.

Rentabilidade e Retorno do Investimento (ROI)

  • Tambaqui: Com menor custo de produção e ciclo intermediário, é ideal para produção semi-intensiva. ROI estimado de até 30% ao ano, com alta liquidez no mercado interno.
  • Tilápia: Ciclo mais rápido e padrão genético estável. Contudo, o retorno pode ser comprometido por desafios sanitários no clima amazônico.
  • Pirarucu: Alto custo de implantação e longo ciclo produtivo, porém excelente rentabilidade para mercados gourmet e exportação — ROI superior a 40% a longo prazo.

Aceitação em Mercados Consumidores

  • Tambaqui: Fortemente aceito nos mercados da Região Norte e Nordeste. Em expansão no Sudeste e Centro-Oeste, inclusive em redes de supermercados e programas de alimentação escolar.
  • Tilápia: Maior aceitação nacional (Sul e Sudeste), ideal para mercados de filetagem e indústria.
  • Pirarucu: Produto premium, valorizado por chefs e no exterior (EUA, França, Suíça), com potencial de agregação de valor.

Segundo pesquisa da Embrapa Recursos Pesqueiros (2022), o filé de Tambaqui já representa 32% das vendas interestaduais da espécie, especialmente para os estados de São Paulo, Minas Gerais e DF, com tendência de alta.

Capacitação e Apoio Técnico

A expansão sustentável da piscicultura depende de capacitação técnica e orientação profissional. Rondônia conta com uma sólida rede de apoio ao produtor:

Principais Instituições e Cursos

  • EMATER-RO: Assistência técnica gratuita para pequenos e médios produtores.
  • SEAGRI-RO: Programas de fomento e acesso a crédito (linha Pronaf e InvestRondônia).
  • IFRO (Instituto Federal de Rondônia): Cursos técnicos em Aquicultura e extensão em sistemas de cultivo.
  • SENAR-RO: Cursos práticos em piscicultura, nutrição e gestão da produção.
  • EMBRAPA Pesca e Aquicultura: Publicações técnicas, boletins e tecnologias adaptadas à piscicultura amazônica.

Além disso, parcerias com entidades como o SEBRAE e BNDES têm ampliado o acesso a ferramentas de planejamento financeiro, comercialização e certificação da produção.

O Governo Federal tem diversas iniciativas para fomentar a piscicultura no Brasil, com o objetivo de impulsionar a produção, a geração de renda e o desenvolvimento sustentável do setor. Entre as ações, destacam-se programas como o “Piscicultura Mais Vida“, que visa reduzir a pesca predatória e promover a aquicultura como alternativa. Além disso, o governo federal lança planos safra específicos para a piscicultura, com investimentos em produção, comercialização e capacitação de produtores. 

Principais Ações e Programas:

  • Programa Piscicultura Mais Vida: Busca reduzir a pesca predatória e promover a aquicultura como alternativa sustentável, fornecendo alevinos gratuitamente para ribeirinhos, quilombolas e indígenas, e subsidiando para agricultores familiares, conforme a disponibilidade de estrutura. 
  • Plano Safra para a Piscicultura: O governo federal destina recursos para estimular a produção e comercialização de peixes, além de investir em capacitação de produtores e pescadores. 
  • Fomento à Pesca e Aquicultura: O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) incentiva a produção, comercialização e inovação tecnológica no setor, garantindo o equilíbrio entre conservação ambiental e uso sustentável dos recursos hídricos. 
  • Incentivo à Crédito: O MPA oferece informações detalhadas sobre linhas de crédito disponíveis nos Programas de Fomento do Governo Federal para aquisição de equipamentos, estruturas e outras necessidades do setor. 
  • Registro de Aquicultor: O aquicultor comercial deve se inscrever no Registro de Aquicultor junto ao MPA, mesmo que ainda não possua outorga de água ou licenciamento ambiental. 

Considerações Finais

A criação de peixes em Rondônia representa uma estratégia sólida de diversificação de renda e investimento rural. Entre as espécies, o Tambaqui se destaca pela sua adaptabilidade, baixo custo, e crescente aceitação nacional. Já o Pirarucu atrai investimentos de maior porte e visão de longo prazo, com potencial internacional. A Tilápia é indicada para sistemas tecnificados e regiões com maior controle sanitário.

Com orientação técnica adequada e gestão eficiente, a piscicultura pode ser um pilar econômico ainda mais forte no agronegócio rondoniense.

Referências Técnicas e Fontes Consultadas

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